segunda-feira, 30 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA DO DIREITO NA FORMAÇÃO ACADÊMICA

É com muita felicidade que venho, hoje, para postar aqui nesse espaço de divulgação de idéias um texto que não é de minha autoria. Há muito tempo vinha cogitando a criação deste blog, e, todavia, sempre visualizava um ou outro óbice para colocá-lo em atividade. Felizmente, entretanto, as aulas com grandes mestres, e o incentivo especial da Duda (dona do blog umaxicaradecafeina.blogspot.com) me fizeram por em prática algo que, como se vê, vem chamando a atenção dos colegas, amigos e interessados nos temas aqui abordados.



Pieguismos à parte, gostaria apenas de prefaciar o laborioso texto confeccionado pelo amigo Gilher (também apelidado de Pomps Boy), assim o fazendo apenas para salientar a real preocupação dele, a qual comungo, que consiste na formação de tecnocrátas do Direito, profissionais com conhecimento exclusivamente técnico, sem, contudo, o maior interesse e conhecimento do real sentido do Direito, sem nenhum faro para a crítica e a reflexão acerca do Direito Posto e, evidentemente, do ideal Direito Pressuposto, o que, deveras, contribui para a perpetuação do mesmismo, restando ausentes as desejadas indagações acerca das normas vigentes, acarretando, então, a tão conhecida dissociação do Direito com a realidade. Em síntese: Boa Gilher!!!



Segue o texto:







"Ora, ministro. Aqui cheguei e vim para ficar. Muito obrigado pelo espaço concedido, é com grande satisfação que escrevo neste blog. Muito embora ainda esteja em sua fase embrionária, tenho certeza que o futuro lhe reserva uma formação sólida e digna de reconhecimento.

O presente texto aborda a importância da filosofia do direito na formação do acadêmico, para tanto, necessário se faz conceituar o que é a filosofia e o seu ramo específico, jusfilosofia.

De forma bem clara e objetiva, serei o mais breve possível. Na conceituação mais atual do que é filosofia, temos que: "é o método de reflexão pelo qual o homem se empenha em interpretar a universalidade das coisas". Este é o espírito do filósofo, se empenhar a interpretar tudo aquilo que o cerca.

Muito pertinente o conceito de Paulo Nader sobre o que é filosofia, vejamos: "A filosofia caracteriza-se como indagação ou busca perene do conhecimento, mediante a investigação dos primeiros princípios ou últimas causas. O espírito filosófico não se satisfaz com a leitura dinâmica dos fatos ou com simples observações. Ele questiona sempre e, de cada resposta obtida, passa a novas perguntas, até alcançar a essência das coisas".

Conceituado está a filosofia de forma ampla, passo, então, para uma das suas ramificações, qual seja, a jusfilosofia, que, em suma: "consiste na pesquisa conceptual do Direito e suas implicações lógicas, por seus princípios e razões mais elevadas, e na reflexão crítico-valorativo das instituições jurídicas".

É imperioso reconhecer neste momento que a matéria filosofia do direito se mostra necessária e de grande valia na formação intelectual do acadêmico de direito, tendo em vista que seu estudo reflexivo aborda tanto o conceito do Direito, bem como um exame crítico e axiológico das nossas instituições.

Assim, a crítica deste texto reside no momento temporal em que as faculdades apresentam a matéria jusfilosofia aos acadêmicos e, sobretudo, o desdém que estes possuem da referida grade. Penso que estes dois problemas estão ligados, uma vez que a instituição de ensino oportuna a matéria bem no início do curso, instante em que há maior dúvida e desinteresse por parte dos acadêmicos. É nesta hora que se vislumbra o desmerecimento dos alunos, estes chegam a pensar equivocadamente e, às vezes, até de forma sarcástica, que: "filososar" está ligado a "viajar", "divagar", enfim, verbos que deveriam ser trocados pelo "questionar", "compreender", "suscitar".

Destarte, dessa infeliz coicidência (momento oportunizado da matéria + desinteresse dos acadêmicos) a formação é efetivamente prejudicada, haja vista a importância da filosofia do direito para o alunado.

Ante o exposto, idealizando uma graduação mais técnica-intelectual dos alunos, a faculdade deveria retardar o início da matéria aqui tratada, deixando para ministrá-la quando os alunos possuíssem maior interesse e maturidade dentro do curso. Desta feita, a faculdade, os alunos e, especialmente, a sociedade, seria beneficiada com esses profissionais, que, em tese, teriam noção do que realmente é JUSTIÇA e FILOSOFIA e, com UM POUCO DE SERIEDADE, estariam mais preparados.

Um abraço a todos.

Guilherme Pompeo Pimenta Negri".

domingo, 29 de maio de 2011

Caos no Pronto-Socorro de Cuiabá: uma breve ponderação crítica..

Senhores, senhoras.. essa noticiada crise no Pronto Socorro de Cuiabá-MT é algo que deveria ser esperado minha gente, não é nada imprevisível. Não se enganem, a culpa não é só de sua diretoria - se é que se pode culpá-la - ou de seus médicos.. o problema tem origem diversa. Explico-me.

Ora, Pronto Socorro é a instituição estatal encarregada de prestar o pronto atendimento. Eu vou ilustrar, para que não me entendam mal: quando uma pessoa sofre um acidente automobilístico de sérias proporções.. quando é esfaqueado, baleado, quando toma uma paulada (me perdoem a pobreza do linguajar, mas o intuito é ser claro), ele necessariamente tem que ser atendido no Pronto Socorro, sendo, inclusive, uma imposição legal.. sendo que só após o atendimento de urgência é que poderá ser levado ao hospital particular de sua preferência.

O que temos aqui em Cuiabá?

Pessoas na fila para operações cardíacas, renais, decorrentes de traumas.. isso, definitivamente, não é função do Pronto Socorro!

Pronto Socorro não é (e nem deve ser) Hospital Público ou Policlínica. Estes, sim, tem o dever de ter vários leitos, realizar os mais variados tipos de cirurgias, possuir a mais diversa gama de profissionais da medicina das mais variadas especializações, sendo que, repito, isso, definitivamente, NÃO É ATRIBUIÇÃO DO PRONTO SOCORRO!

Minha gente, isso que foi veiculado no Jornal Nacional é engodo.. é a imprensa alienante fazendo a cabeça do Hommer Simpsom (expressão que o William Bonner adora atribuir ao cidadão médio brasileiro).

O Governo Estadual e o Municipal são os responsáveis por esse imbróglio, esse caos, essa desordem inadmissível! Cuiabá e o Estado de Mato Grosso necessitam urgentemente de Hospital Públicos e mais Policlínicas!!

Outro fator que não se levou em consideração é que o Pronto Socorro de Cuiabá não atende apenas os cidadãos cuiabanos, mas, na verdade, todos as pessoas que migram do interior para cá em busca de uma solução, notadamente porque a Saúde Pública, em suas cidades, também encontra-se falida. Meu povo, até bolivianos saem de seus país para serem atendidos aqui. É inconcebível.. não há suporte para toda essa gente.

É evidente que isso não justifica os problemas infraestruturais ligados ao saneamento, entretanto, é bom que isso fique bem claro. A sociedade está sob o agasalho de uma penumbra intransponível, é preciso Sol para aclarar essa cegueira!

O algoz não é o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, mas sim a Administração Pública, seja ela Estadual ou Municipal, que, deveras, são as responsáveis pela construção e manutenção de hospitais públicas, até mesmo porque a Lei Mãe (Constituição Federal) institui a saúde como direito de todos e dever do Estado! O mandamento é claro e está em bom português.. exige-se cumprimento imediato, pombas!

E ainda dizem que o correto é deixar para a iniciativa privada a resolução desses problemas.. outro engodo. Temos vários Hospitais Privados em Cuiabá.. veja se algum deles presta serviço assistencial! Se prestam, são poucos, e ainda por cima serviços básicos..

A população necessita da prestação, pelo Estado, de serviço de saúde de qualidade e ininterrupto. A maioria esmagadora não tem condições de arcar com os custos dos Hospitais Privados. É a hora do princípio da dignidade da pessoa humana fazer valer sua positivação constitucional, a fim de, no ideal Kantiniano, que se trate o ser humano como gente, e não como porco, ou mesmo como uma coisa, um lixo.

Meu pedido: parem de focar as críticas e os xingamentos ao Pronto Socorro e seu pessoal. Exijam do Estado, na figura dos governantes, saúde pública de qualidade. Agora, se a situação for confortável, liguem o foda-se (é mais fácil, não é?).. Se quiserem, podem ligar.. Eu não o farei. Agora, se acaso precisarem, não reclamem..

Aviso dado.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Da caderneta de poupança ao cartão de crédito.. os episódios sociais não mais como rios, mas sim como lagos, lagoas..

1. Valher-me-ei novamente das pontuais lições de BAUMAN para escrever-lhes algo que faz muito sentido. É algo condizente com o modo de vida adotado pela humanidade atualmente.. em verdade, são reflexões esparsas que, de certa forma, fazem muito sentido para este pretenso escritor.

2. Pois bem. Paremos para refletir como se desenrolava a vida de uma pessoa socialmente adequada há alguns anos atrás. Não há contestações de que no seio familiar tomava-se conselhos de que se deveria construir o seu futuro por meio de esforço, dedicação, foco, muito estudo e respeito aos pais, à Igreja e ao Estado (as leis). Outrossim, no campo do amor, a regra geral era de que se deveria relacionar com mínimo possível de parceiros (em algumas famílias chegava-se a impor o seguinte: começou a namorar, tem que casar; nesta casa não se admite curtição, senão respeito e seriedade!), e a idéia de compromisso e eternidade se faziam presentes de maneira irrefutável e incontornável (é claro que haviam exceções; gosto de dizer: toda regra comporta exceção). Havia-se, como se vê, comprometimento com os compromissos feitos, seja ele no campo afetivo, ou mesmo no profissional, no familiar, etc e tal. As pessoas não tinham medo de seguir etapas, um processo subdivido em vários procedimentos que, de forma retilínea, traçava o fim almejado. Se se observar de uma forma ilustrada, tal como mestre Zyg (permito-me apelidar-lhe dessa forma, tamanha a afinidade comungada entre nossos raciocínios, ele na qualidade de mentor, e eu como mero aprendiz) o fez, a condição humana de outrora muito se assemelhava a uma caderneta de poupança (ou a atual conta-poupança) e/ou a um rio. A primeira porque se depositava na caderneta (ou conta) as ações para colher os juros futuros, que, convenhamos, pode-se dizer que eram compensadores. A figura retratada pelo último (o rio), assim explica-se: as pessoas partiam da nascente, enfrentavam pedaços mais profundos, outros mais rasos, as curvas perigosas, espaços de mansidão em linha reta, as vezes até se socorrendo nas margens, mas sempre dispostas a tomar novamente o cursos das águas rumo ao destino final. A história é completamente diversa hodiernamente.

3. O descompromisso, a regra; a exceção é o compromisso. Dor, sacrifício, comprometimento? Que nada! O lance é o agora. A imediaticidade. Do sólido ao líquido. Tudo quanto possível ao alcance dos braços curtos e das mãos pequenas. Curso superior levado na barriga. Diplomado, porém alienado. Zumbis, robôs sociais, peças de xadrez.. a manipulação me parece tão clara, pra vocês não? Estaria eu delirando, numa espécie de conspiração absurda? A resposta, me parece, é desenganadamente negativa. Da mesma forma ocorre com os relacionamentos. Pergunta a um jovem hoje: Você quer casar? A maioria esmagodora faz aquela cara: Tá maluco ô doidão? Sai fora! O lance hoje é curtição. A máxima do funk se faz imperante: "Tá tudo liberado, e ninguém é de ninguém". A felicidade: uma trepada (com todo o perdão da palavra). Ocorre que, logo após o coito, os estranhos se olham, de longe, numa distância abominante que os separa, mesmo tão próximos fisicamente, e, inconscientemente sabem: que vazio. É, vivemos tempos realmente estranhos. O que vale é o que importa para si, jamais para o outro. Mas é aí que mora o problema: ninguém vive sozinho. O conceito de amor é confundido com paixão (nem mesmo com esta.. na verdade tá mais pra tesão - de novo rogo perdão pelo termo). Amar não é nada disso. Isso é engodo minha gente. Amar é doar-se. O verdadeiro amor ama os defeitos, jamais só as qualidades. Ora, convenhamos, é muito fácil amar só o que é bom. Difícil, evidentemente, é gostar do que é ruim.. mas esse é o verdadeiro sentido, pelo menos na minha humilde ótica.. já nem sei se enxergo direito. Enfim, retorna às parábolas: a onda agora é o cartão de crédito, de modo a sepultar, definitivamente, a cadernete de poupança dos antepassados. Se passa o cartão e o depois que se exploda.. sem consequencias.. só o aqui, agora. Da mesma forma, tem-se medo do rio: a trajetória é muito longa. Vamos aos lagos, lagoas (cara, na moral.. isso me lembra muito um tal de Manso.. bom, deixa pra lá vai). A água acabou, tá gelada, suja? Pula pra outra.. de preferência que seja rasa e sem sujeira.. fica mais fácil de aproveitar e não se reclama esforços no uso. A situação é tragicômica.

4. Eu ainda poderia definir o antes e o depois como a história do peregrino (antes) e do andarilho/vagabundo/turista/jogador (do depois).. mas isso eu vou deixar para uma outra oportunidade.. apimentando a curiosidade alheia.. hahahaha!

5. Hoje compramos um produto vendido pela mídia, e estamos pagando um preço muito caro: estourou-se os limites do cheques especiais, dos cartões de crédito.. os cheques já não tem mais fundo.. estamos à beira da bancarrota: falência. O negócio, em meu juízo, talvez seria aprender o que os nossos antigos nos ensinavam: usar a caderneta de poupança. Podemos usar o cartão de crédito? Sim, sem dúvidas, não sou tão ortodoxo assim, mas com cautela, e no mínimo necessário, caso contrário, uma nova bolha surgirá, de proporções muito maiores do que a bolha imobiliária de 2008.. a bolha atômica.. que talvez seja necessária para varrer esse caos, despertar os acomodados (afliji-los), afinal de contas, a maioria só toma atitude quando a água começa a bater na bunda.

6. Fui claro?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A vanguarda e os intelectuais, breves considerações..

Ontem, ao ler algumas páginas da obra "Vida em fragmentos - sobre a ética pós-moderna" do sociólogo polônes (com atuação na Inglaterra) Zygmunt Bauman, me peguei refletindo acerca do papel da vanguarda e dos intelectuais nos dias correntes.. resolvi retratar, resumidamente, as minhas conclusões.
Pois bem, para os que não conhecem, Vanguarda é, segundo o Houaiss, "parcela da inteligentsia que exerce ou procura exercer um papel pioneiro, desenvolvendo técnicas, ideias e conceitos novos, avançados.. avant garde". Como se vê, vanguardismo e intelectuais são indissociáveis, por isso o título proposto: A vanguarda e os intelectuais. Calha asseverar, por oportuno, que os rebeldes, de forma similar aos vanguardistas, também se insurgem contra o pensamento e a ordem predominantes, entrentanto, deles não tratarei neste breve escrito porque a rebeldia consiste na insurgência atécnica, não-científica, ou seja, rebelar-se apenas por não se conformar, sem contudo propor, de forma plausível, um paradigma a se alcançar.
Segundo penso, cada época da humanidade teve a vanguarda que mereceu. Sem delongar muito o assunto, pensemos na famosa Revolução Francesa. Quem era a vanguarda? A resposta é clara: os burgueses. E qual a causa da insatisfação ao sistema vigente? Em suma, os abusos praticados pelo monarca. Não se pense, contudo, que essa reviravolta burguesa se deu em um simples estalar de dedos. Com efeito, os burgueses assim o fizeram porque, ao elevar seu potencial econômico com o fortalecimento dos burgos, puderam ter acesso às universidades, que até então só era acessível aos nobres e à família da realeza. Esse é o ponto chave que queria chegar: os intelectuais são a vanguarda, são eles os responsáveis pela mudança de perspectiva, por uma nova aurora.
Ocorre que a realidade tem nos provado o contrário. Os intelectuais têm se dedicado apenas aos seus próprios e egoísticos interesses. É o que demonstrei brevemente no artigo antecessor (O jardim e a praça..). Em um mundo onde se é o que se tem, ou melhor, se mede a grandeza de uma pessoa pelo seu potencial de consumo, os acadêmicos estão se esquecendo de seu papel primordial de usar seus conhecimentos e habilidades em prol do coletivo para, de forma completamente antagônica, servir-se a si mesmos, para acumular, acumular, acumular riquezas.
É necessário amor ao próximo (Platão já dizia: "Quem não começa pelo amor nunca saberá o que é filosofia"). Por que digo isso? Simples: a grande massa não tem proprensão para o vanguardismo.
Não por preguiça, mas porque, envoltos em tantos problemas (BAUMAM diria, preocupados exclusivamente com a luta pela sobrevivência), não encontram tempo e tampouco inspiração suficientes para planejar uma reviravolta. E aí volto à tecla: são os intelectuais os incumbidos desta tarefa.
O neoliberalismo prega uma vassalagem sem precedentes do homem médio frente ao sistema, convencendo-o de que toda a felicidade do mundo pode ser adquirida pelo consumo. Ledo (e diria até ardiloso) engano.
Poder aquisitivo e felicidade não são correspondentes lógicos, muito pelo contrário. Quem muito tem, pouco se alegra com um pouco mais. Por outro lado, quem nada tem até se alegria caso um pouco mais tivesse, entretanto, o sistema não lhes proporciona o "mais ter", e aí, convenhamos, a proposta do sistema não agrada nem aos gregos, e nem aos troianos.
A vanguarda brasileira à epóca da Ditadura teve um inimigo muito mais fácil do que o adversário do vanguardismo atual. Como assim?
A Ditadura se impôs pela força prometendo desenvolvimento nacional. Ocorre que esse desenvolvimente não fora verificado e, para piorar, as liberdades mais básicas do cidadão foram cerceadas. Neste cenário, e presente a realidade diversa do resto do mundo (com exceção da América Latina, completamente dominada pelos regimes totalitários), os militantes lutaram e conseguiram demonstrar para o povo que a situação avassaladora deveria ser reformada, máxime tendo em consideração o modelo de vida empregado nos países livres.
Não quero, definitivamente, tirar-lhes todos os méritos e congratulações necessárias pelo grande favor que prestaram a sociedade brasileira, definitivamente não é essa a minha intenção. O que quero dizer, efetivamente, é que antes se lutava contra um inimigo visível.
Hoje, em contrapartida, o adversário é invisível, acobertado por táticas de propaganda e marketing, dominação, alienação.
Para afirmar o que digo, transcrevo um excerto de todo salutar, citado por Emerson Gabardo em sua obra "Eficiência e Legitimidade do Estado", a saber:

"O pensamento virou sinônimo de chatice. Os jornais imitam a televisão. Esta se satisfaz em alimentar os baixos instintos do povo. A imagem não se contenta em substituir a escrita; pretende superar o tédio da reflexão. Como se trata de um mercado, sobra uma fatia para o universo intelectual, submetida às mesmas regras da rede de trocas. Quem falar, morre. Ou não chega a acontecer. Neste caso, quem escreve é um morto. Melhor, um fantasma dado a algumas preambulações" [A idéia, citada por GABARDO, é de Juremir Machado da Silva, em obra denominada A miséria do jornalismo brasilero: as (in)certezas da mídia.]

Não se trata de uma proposta de resolução, mas sim uma reflexão do que hodiernamente acontece. Para findar, hei por bem citar o texto utilizado por GABARDO como prólogo da obra acima mencionada, de autoria de Viviane Forrester - verbis: "Não há nada mais mobilizador do que o pensamento. Longe de representar uma sombria demissão, ele é o ato em sua própria quintessência. Não existe atividade mais subversiva do que ele. Mais temida. Mais difamada também; e não é por acaso, não é inocente: o pensamento é político. E não só o pensamento político. Nem de longe! Só o fato de pensar já é político. Daí a luta insidiosa, cada vez mais eficaz, hoje mais do que nunca, contra o pensamento. Contra a capacidade de pensar. A qual, entretanto, representa e representará, cada vez mais, nosso único recurso".

Sem mais.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O jardim e a praça: uma redefinição do dever ser da pessoa enquanto ser social

1. Inicialmente se faz necessária uma diferenciação entre o mundo do ser e o planeta do dever ser. É muito simples. O mundo do ser espelha a realidade: define o homem como realmente é, a sociedade e o Estado como realmente funcionam. Do outro lado, o planeta do dever ser desenha o esboço ideal do homem, do corpo social e do Leviatã (Estado, na visão de Hobbes).
2. Dado o ponta pé inicial, insta explorar o título proposto. E, antes de o fazer, não posso deixar de fazer menção ao grande mestre Emerson Gabardo, cuja tese de doutoramento em Direito do Estado na Universidade Federal do Paraná me fez repensar a relação entre o homem, a sociedade e o Estado. Pois bem, sob uma ótica histórico-evolutiva da condição humana enquanto ser social, podemos visualizá-lo tanto na sua dimensão "jardim", como também na sua dimensão "praça". O jardim, que nos dá idéia de casa, é a esfera individual do ser humano, em seu lar, local em que, o regando, busca colher as mais belas flores, a fim de acalentar a sua alma. Já a praça é a dimensão pública do homem, onde mantém contato com as mais variadas pessoas, local em que, em tese, se sentiria como parte de um todo maior (bem maior) do que o jardim, logradouro ideal para elevar o espírito.
3. Ocorre que a balança pende (com muita força, diga-se de passagem) para um só lado, a saber: o jardim. Não é preciso muito esforço intelectual para percebermos que o homem atual se preocupa muito mais com seus próprios interesses (o que, em linguagem figurada, seriam as flores de seu jardim) do que com o outro. A praça foi esquecida, deixada na mão de certas pessoas que, escolhidas mediante votação do corpo social, seriam os encarregados de cuidá-la, preservá-la e expandi-la. Resultado: a praça está suja, quebrada, não cresceu, enfim, se perdeu.. Surge a indagação: Por quê? Ora, convenhamos, a resposta é simples: aqueles encarregados de cuidar da praça, do mesmo modo como os que o elegeram, também estavam muito mais preocupados com o seu jardim.
4. Mas qual o intuito de todo esse raciocínio? R: Sacudir os acomodados e despertar os adormecidos. É hora de deixarmos de ser indivíduos (ou seja, o homem singularmente considerado) e passarmos a ser cidadãos (pessoa enquanto parte de um todo). República brasileira. República tem origem do latim res publica (res = coisa; publica = do povo; coisa do povo). A nossa praça precisa de nós, pois os zeladores se mostraram (e ainda se mostram) incompetentes em preservá-la e expandi-la. É hora de parar de reclamar dos governantes e tomar de volta aquilo que nos pertence. Todo poder emana do povo e no seu interesse deverá ser exercido. Esse é o real sentido de uma associação de seres humanos na forma de sociedade.
5. Nesta toada, poderão surgir aqueles que dirão, parafraseando o filme Coração de Dragão: Por que eu arriscaria meu pescoço por um povo que não arrisca o dele? Eu responderia ao estilo do distinto professor e ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Roberto Grau [In Direito Posto e Direito Pressuposto. Ensaio: Estado/Liberdade/Direito Administrativo., 7 ed., São Paulo: Malheiros Editores, 2008, p. 269]: "não merece o privilégio de viver o seu tempo quem não é capaz de ousar.. Ousar pelo social, jamais pelo individual de e em si mesmo".
6. Deveras, não se trata do que fazer, mas, em primeira análise, apenas atitude de fazê-lo. Vontade, compromisso e coragem de viver em prol do outro, e não apenas para si mesmo, afinal, creio que ninguém queria ser como Tom Hanks no filme "Náufrago", vivendo atrás de "Wiiiiilllsooon" (ou seja, em outras palavras, penso que ninguém queira viver isolado dos demais, correndo atrás de futilidades sem se preocupar com - ou mesmo, notar os - seus semelhantes).
7. É como penso, salvo melhor juízo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Propósitos.. nada mais do que isto!

1. É tudo uma questão natural. As abelhas fornecem mel, as árvores oxigênio e o Criador a Terra, a água e o céu. Não tenho a presunção de criar um mundo (definitivamente não), mas o fito deste blog é poder ser ao mesmo tempo abelha e árvore, tudo isto com um pouco de seriedade.
2. "Vivemos tempos realmente estranhos".. o eminente Ministro Marco Aurélio profecia essa máxima sem cansar. Não posso deixar de concordar. A regra, hoje, é o dito pelo não dito. Perderam-se os parâmetros, inverteram-se os valores. Beiramos ao caos sem mesmo vivenciarmos quaisquer grandes horrores. A anormalidade enraizada no corpo social é silenciosa, porém letal. Estamos vivendo em um sistema capenga. As instituições não funcionam com efetividade. A ética se transformou em éticas, não só das comunidades tradicionais mas, sobretudo (e infelizmente) a de mercado. O ser humano está a deriva. Onde escorar? A máxima popular se faz incidente: "Pra quem está afundando, jacaré é tronco!". Ora, não é por outra razão que as pessoas se escoram em falsos ídolos, ideologias e ideais, sendo que, no fritar dos ovos, naufragam sem saber o que realmente está acontecendo. O que quero dizer com isso?
3. Simples: precisamos mudar. Ok, novidade.. mas como? Não sei, se soubesse traria a fórmula, revelaria o segredo ou decodificaria o incodificável. A única certeza que tenho é que urge tentar. Sejamos a mudança que queremos no mundo. Meu compromisso: arriscar.. apostar alto na revolução das idéias. Do modo como dizia Ernesto Che Guevara: se você treme de indignidade frente a uma injustiça, então somos companheiros.
4. Retomando a marcha: abelha e árvore. i) como abelha, na qualidade de operário, trarei o fruto de meus estudos e reflexões; ii) como árvore, agora no caráter salutar, tentarei ser um pouco mais que uma gota no oceano, inspirando os companheiros na batalha travada em prol de uma reconquista dos valores da humanidade.
5. Por óbvio, isto exige um pouco de Justiça, Filosofia, e mais um pouco de seriedade. "And here we go.."