segunda-feira, 23 de maio de 2011

Da caderneta de poupança ao cartão de crédito.. os episódios sociais não mais como rios, mas sim como lagos, lagoas..

1. Valher-me-ei novamente das pontuais lições de BAUMAN para escrever-lhes algo que faz muito sentido. É algo condizente com o modo de vida adotado pela humanidade atualmente.. em verdade, são reflexões esparsas que, de certa forma, fazem muito sentido para este pretenso escritor.

2. Pois bem. Paremos para refletir como se desenrolava a vida de uma pessoa socialmente adequada há alguns anos atrás. Não há contestações de que no seio familiar tomava-se conselhos de que se deveria construir o seu futuro por meio de esforço, dedicação, foco, muito estudo e respeito aos pais, à Igreja e ao Estado (as leis). Outrossim, no campo do amor, a regra geral era de que se deveria relacionar com mínimo possível de parceiros (em algumas famílias chegava-se a impor o seguinte: começou a namorar, tem que casar; nesta casa não se admite curtição, senão respeito e seriedade!), e a idéia de compromisso e eternidade se faziam presentes de maneira irrefutável e incontornável (é claro que haviam exceções; gosto de dizer: toda regra comporta exceção). Havia-se, como se vê, comprometimento com os compromissos feitos, seja ele no campo afetivo, ou mesmo no profissional, no familiar, etc e tal. As pessoas não tinham medo de seguir etapas, um processo subdivido em vários procedimentos que, de forma retilínea, traçava o fim almejado. Se se observar de uma forma ilustrada, tal como mestre Zyg (permito-me apelidar-lhe dessa forma, tamanha a afinidade comungada entre nossos raciocínios, ele na qualidade de mentor, e eu como mero aprendiz) o fez, a condição humana de outrora muito se assemelhava a uma caderneta de poupança (ou a atual conta-poupança) e/ou a um rio. A primeira porque se depositava na caderneta (ou conta) as ações para colher os juros futuros, que, convenhamos, pode-se dizer que eram compensadores. A figura retratada pelo último (o rio), assim explica-se: as pessoas partiam da nascente, enfrentavam pedaços mais profundos, outros mais rasos, as curvas perigosas, espaços de mansidão em linha reta, as vezes até se socorrendo nas margens, mas sempre dispostas a tomar novamente o cursos das águas rumo ao destino final. A história é completamente diversa hodiernamente.

3. O descompromisso, a regra; a exceção é o compromisso. Dor, sacrifício, comprometimento? Que nada! O lance é o agora. A imediaticidade. Do sólido ao líquido. Tudo quanto possível ao alcance dos braços curtos e das mãos pequenas. Curso superior levado na barriga. Diplomado, porém alienado. Zumbis, robôs sociais, peças de xadrez.. a manipulação me parece tão clara, pra vocês não? Estaria eu delirando, numa espécie de conspiração absurda? A resposta, me parece, é desenganadamente negativa. Da mesma forma ocorre com os relacionamentos. Pergunta a um jovem hoje: Você quer casar? A maioria esmagodora faz aquela cara: Tá maluco ô doidão? Sai fora! O lance hoje é curtição. A máxima do funk se faz imperante: "Tá tudo liberado, e ninguém é de ninguém". A felicidade: uma trepada (com todo o perdão da palavra). Ocorre que, logo após o coito, os estranhos se olham, de longe, numa distância abominante que os separa, mesmo tão próximos fisicamente, e, inconscientemente sabem: que vazio. É, vivemos tempos realmente estranhos. O que vale é o que importa para si, jamais para o outro. Mas é aí que mora o problema: ninguém vive sozinho. O conceito de amor é confundido com paixão (nem mesmo com esta.. na verdade tá mais pra tesão - de novo rogo perdão pelo termo). Amar não é nada disso. Isso é engodo minha gente. Amar é doar-se. O verdadeiro amor ama os defeitos, jamais só as qualidades. Ora, convenhamos, é muito fácil amar só o que é bom. Difícil, evidentemente, é gostar do que é ruim.. mas esse é o verdadeiro sentido, pelo menos na minha humilde ótica.. já nem sei se enxergo direito. Enfim, retorna às parábolas: a onda agora é o cartão de crédito, de modo a sepultar, definitivamente, a cadernete de poupança dos antepassados. Se passa o cartão e o depois que se exploda.. sem consequencias.. só o aqui, agora. Da mesma forma, tem-se medo do rio: a trajetória é muito longa. Vamos aos lagos, lagoas (cara, na moral.. isso me lembra muito um tal de Manso.. bom, deixa pra lá vai). A água acabou, tá gelada, suja? Pula pra outra.. de preferência que seja rasa e sem sujeira.. fica mais fácil de aproveitar e não se reclama esforços no uso. A situação é tragicômica.

4. Eu ainda poderia definir o antes e o depois como a história do peregrino (antes) e do andarilho/vagabundo/turista/jogador (do depois).. mas isso eu vou deixar para uma outra oportunidade.. apimentando a curiosidade alheia.. hahahaha!

5. Hoje compramos um produto vendido pela mídia, e estamos pagando um preço muito caro: estourou-se os limites do cheques especiais, dos cartões de crédito.. os cheques já não tem mais fundo.. estamos à beira da bancarrota: falência. O negócio, em meu juízo, talvez seria aprender o que os nossos antigos nos ensinavam: usar a caderneta de poupança. Podemos usar o cartão de crédito? Sim, sem dúvidas, não sou tão ortodoxo assim, mas com cautela, e no mínimo necessário, caso contrário, uma nova bolha surgirá, de proporções muito maiores do que a bolha imobiliária de 2008.. a bolha atômica.. que talvez seja necessária para varrer esse caos, despertar os acomodados (afliji-los), afinal de contas, a maioria só toma atitude quando a água começa a bater na bunda.

6. Fui claro?

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